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“INOVAÇÃO ATITUDINAL" Explicada

José Predebon, 2016    

Para explicar o conceito de forma prática, começo contando um fato da sua aplicação. Então uso aqui a pergunta feita por um senhor, ao final da minha palestra sobre esse tema. Ele disse, ao fazer a indagação: “Eu não aceito as ideias do meu filho sobre vários assuntos, porque sei que são erradas. Porém não discuto com ele como fazia antes, pois já sei que não vai adiantar. Então eu fico quieto, mas incomodado, e agora pergunto: tem uma maneira de eu não me contrariar?.”

Respondi que eu via como natural ele não contra argumentar e adotar uma atitude passiva, porque usava a via do afeto; o amor de pai fazia ele preferir não defender suas convicções. E como mesmo assim isso o incomodava, acrescentei, eu sugeria que o processo poderia lhe ser confortável se ele usasse também a via da razão. Em seguida expliquei como funcionaria esse caminho. Ele deveria raciocinar que se o filho tivesse as mesmas ideias dele, pai, seria um jovem desajustado dentro da sua geração. Dificilmente teria amigos, pois seria visto como um “mala” conservador, defendendo pontos de vista considerados ultrapassados. Seu filho, dessa forma, talvez nem  conseguisse se articular com o contexto, e se tornaria um desajustado.

Pois bem, eu continuei, ele como pai, claro, prefere ver seu filho feliz, mesmo com ideias que ele não aceita. Disso decorre a solução: que ele raciocine e se convença de que o filho deve ter ideias diferentes das suas, que eram as normais na geração passada. Bem, concluí: pensando assim, desapareceria o incômodo! Ele até passaria a observar as ideias do filho com curiosidade. No mesmo instante que terminei de dizer isso, brilharam os olhos do pai, enxergando na hora uma solução para seu problema. E brilhou a satisfação que sinto quando abro uma porta para alguém. Dessa passagem emerge claro o maior valor da introversão de uma atitude favorável ao novo. Essa parece ser a raiz mais importante do que chamo de inovação atitudinal, que pode ser resumida como uma sintonia com o caráter mutante do universo e da vida. Tudo flui, como filosofou Heráclito na Grécia antiga; quando fluímos junto, acrescento, estamos nos harmonizando com o universo.

Felizmente a razão está balanceada com a emoção no mix de nossa personalidade, o que torna complexa a tarefa de adotar uma nova atitude. É difícil, mas não impossível, e eu sugiro um caminho natural e paciente.

Poderemos mudar nossa atitude perante o novo, acolhendo-o com menos estranheza, se contarmos com a dinâmica natural de nossas óticas através do tempo. Sempre estamos mudando, ainda que aos poucos, e para confirmar isso basta lembrarmos de como pensávamos dez anos atrás.

Pois bem, se conseguirmos nos convencer que uma nova posição é desejável para nossos propósitos, estaremos com a perspectiva de adotá-la. O convencimento precisa ser produto de uma “introversão visceral”, para que a plasticidade de nosso cérebro acabe fazendo “cair uma ficha” – e nesse instante simplesmente mudamos de idéia a respeito do assunto.

Como se faz essa introversão? Cada pessoa usa as vias aceitas por sua cultura e personalidade. Elas vão da meditação até processos cognitivos de pesquisas e leituras. Podemos entrar no processo de mudança por qualquer lado, respeitando a inércia e os condicionamentos existentes.

E qual será o efeito dessa introversão? Navegando a inovação a favor da sua corrente interior, a pessoa verá seu desempenho profissional fluir e se otimizar, de forma espontânea. E seu desempenho na vida pessoal se tornará mais tranquilo e feliz.

Inovação atitudinal será sempre uma conquista para quem deseja crescer e aperfeiçoar sua qualidade de vida. Conquista de uma nova posição serena frente à realidade que nos cerca. Estaremos, repito e concluo, nos sintonizando com o entorno.

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jose@predebon.com.br